Pode engravidar com líquido pré-ejaculatório?

Dr Joanna Pike

Versão em Inglês revista por Dr Joanna Pike em Fev 21, 2020
Escrito por Jennifer Walker.

Sim, existe a possibilidade de o líquido pré-ejaculatório conter espermatozoides, pelo que é possível engravidar mesmo que a ejaculação completa não ocorra na vagina. É perfeitamente natural perguntar-se se pode engravidar utilizando o método de coito interrompido ou através de contacto genital. Então, o que é o líquido pré-ejaculatório e por que motivo pode conter espermatozoides? Continue a ler para saber mais sobre a quantidade de espermatozoides no líquido pré-ejaculatório e por que motivo utilizar o método de coito interrompido não é um método de contraceção eficaz.

1.
O que é o líquido pré-ejaculatório?

O líquido pré-ejaculatório, em termos mais científicos, é um fluido lubrificante libertado do pénis durante a excitação sexual. Tem origem na glândula de Cowper e nas glândulas de Littre, que ligam à uretra. Estas glândulas libertam um fluido alcalino composto por muco e enzimas.

2.
O líquido pré-ejaculatório pode conter espermatozoides?

A resposta resumida é: sim.

Embora o próprio fluido pré-ejaculatório não contenha espermatozoides, existe a possibilidade de entrar em contacto com espermatozoides. A investigação mostra que os espermatozoides vivos podem passar para o fluido pré-ejaculatório nos homens. Um estudo detetou a presença de espermatozoides no fluido pré-ejaculatório de 16,7% de homens saudáveis1. Enquanto que outro estudo descobriu que 41% das amostras pré-ejaculatórias de 27 homens continha espermatozoides2.

Embora estes estudos mostrem que a quantidade de espermatozoides presente era baixa, ainda existe a hipótese de engravidar.

3.
O que é o método de coito interrompido?

O método de coito interrompido, ou coitus interruptus, é quando um homem tira o pénis da vagina antes de ejacular. A ideia é que assim os espermatozoides não vão alcançar o óvulo da parceira, pelo que este método é utilizado como uma forma de contraceção.

4.
O método de coito interrompido é eficaz?

Não, não é considerado uma forma eficaz de contraceção. Existe não só a hipótese de o líquido pré-ejaculatório conter espermatozoides vivos, como as hipóteses de engravidar são maiores do que com outros métodos contracetivos. Em cada 100 pessoas que utilizam o método de coito interrompido como única forma de contraceção, 20-27 delas ficarão grávidas no prazo de um ano (cerca de 1 em cada 5 mulheres)3,4. É principalmente ineficaz por se tratar de um método difícil de utilizar na perfeição, uma vez que alguns homens poderão não conseguir retirar o pénis a tempo.

Alguns casais utilizam o método de coito interrompido durante os dias não férteis. No entanto, deve controlar a sua ovulação com precisão, por exemplo, através de um teste de ovulação e só utilizar esse método depois de ter ovulado. No entanto, ainda existe um risco de gravidez quando utiliza este método. 

5.
E o risco de gravidez por contacto genital?

Embora o próprio fluido pré-ejaculatório não contenha espermatozoides, os espermatozoides com maior motilidade podem passar para o fluido. Para minimizar o risco de gravidez indesejada e a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis, tenha cuidado e use um preservativo antes de qualquer contacto genital.2

Se não quiser engravidar, deve utilizar sempre um método de contraceção eficaz, como o DIU (dispositivo intrauterino), implantes contracetivos, pílula, preservativos (que também protegem contra doenças sexualmente transmissíveis) etc. Converse com o seu médico para encontrar o método certo para si. Se considerar que pode estar grávida, faça um teste de gravidez. Desta forma, pode excluir qualquer ansiedade que possa ter sobre se está ou não grávida.

  1. Kovavisarach E, Lorthanawanich S, Muangsamran P. Presence of sperm in pre-ejaculatory fluid of healthy males. J Med Assoc Thai. 2016 Feb;99 Suppl 2:S38-41
  2. Killick SR, Leary C, Trussell J, Guthrie KA. Sperm content of pre-ejaculatory fluid. Hum Fertil (Camb). Hum Fertil (Camb). 2011 Mar; 14(1): 48–52
  3. Hatcher RA, Nelson AL, Trussell J, et al. Contraceptive Technology (21st edition). New York: Ayer Company Publishers. 2018 
  4. Organização Mundial de Saúde. Family planning/contraception. Fact sheet 351. 2017, July.